195 anos depois da Batalha do Jenipapo, quem morreu lutando segue encarcerado na pobreza

Nesta terça-feira o Piauí celebra a data gravada em sua bandeira: 13 de março, dia da batalha do Jenipapo. O episódio ocorrido 195 anos atrás, nas margens do rio Jenipapo é um dos poucos dos poucos casos de enfrentamento e derramamento de sangue durante o processo de independência política do Brasil ante a Portugal, seu país colonizador.

Ali pereceram 400 brasileiros ignorados pela História. Gente comum que sequer teve um enterro decente, mas que o povo de Campo Maior até hoje cultura não somente como heróis, mas como santos populares. Há uma crença de que as almas dos que morreram na batalha sejam milagrosas.

Tudo isso é pouco avistado, lembrado ou celebrado.

Nesta terça-feira, será o tom oficial que dará o tom. Haverá pompa e circunstância para a celebração nesta terça-feira, no Monumento do Jenipapo, às margens da BR-343, em Campo Maior, a poucos metros do lugar onde a história registra que brasileiros armados de foices e facões enfrentaram tropas portuguesas, que dispunha de armas de fogo.

Lembrar a Batalha significa bem mais que distribuir medalhas, fazer encenações e assistir a desfiles militares.

A Batalha do Jenipapo precisa ser lembrada como um ato de autonomia popular que precisa ser cada vez mais reforçado.

Hoje, passados 195 anos da Batalha, a imensa maioria do povo piauiense ainda segue dependente de redes de proteção social como o Programa Bolsa Família. O povo do Piauí segue preso à pobreza e à falta de oportunidades, condenado a essa condição por uma educação pública que ainda deixa a desejar, por excesso de gastos públicos com despesas fixas do governo, por má aplicação do dinheiro público.

Outras batalhas do Jenipapo devem ser travadas pelo povo do Piauí. Menos sangrentas, dentro de regras democráticas, seja pelo esforço pessoal de cada pessoa residente no Estado, seja por dizer não aos que dificultam a melhoria da qualidade de vida de todos.