Críticas ao processo de Lula devem ser jurídicas, não políticas diz, Ajufe

 

*Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

 

  • Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Roberto Veloso
    O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Roberto Veloso

     

Após o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subirem o tom das queixas contra a Justiça, o presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Roberto Veloso, afirmou, em entrevista ao UOL, que as críticas ao julgamento do petista devem ser "jurídicas" e não, "políticas".

"Em relação ao julgamento do Lula, o que tenho a dizer é que foi um julgamento jurídico de acordo com as provas contidas nos autos", disse.

"Toda a população pôde acompanhar as razões emanadas pelos desembargadores a respeito das provas, o julgamento foi transparente, foi público. E as reações contra o julgamento devem ser jurídicas e não políticas, porque o julgamento não foi político, foi jurídico, de acordo com o processo judicial, confirmando a sentença de primeiro grau e majorando a pena", afirma Veloso.

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Após os três desembargadores da 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) confirmarem por unanimidade a condenação de Lula no processo do tríplex do Guarujá (SP) e o sentenciarem a 12 anos e um mês de prisão, o PT divulgou uma nota oficial na qual classificou a decisão como uma "farsa judicial".

No último sábado (27), o ex-presidente Lula divulgou nas redes sociais um vídeo em que acusa "parcela do Poder Judiciário" de ter implantado no País o que ele chamou de "ditadura" da Operação Lava Jato.

O vídeo foi divulgado após a decisão do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, que proibiu o ex-presidente de deixar o país e o obrigou a entregar seu passaporte à Polícia Federal.

A defesa de Lula afirma que não há provas conclusivas contra ele no processo.

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Aguardar com "serenidade"

Veloso, da Ajufe, lembrou que o ex-presidente ainda poderá recorrer da decisão do TRF-4 e que é preciso defender a independência do Judiciário.

"Nós vamos aguardar os próximos passos [do processo] com tranquilidade, com serenidade. E a Ajufe sempre vai defender a independência dos juízes de julgar. Os juízes devem ter total independência, total liberdade para proceder os seus julgamentos, sem qualquer tipo de coação", afirmou.

Ele reconheceu que o julgamento tem "reflexos políticos", referindo-se ao fato de a condenação em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ter tornado Lula inelegível.

"É lógico que a decisão dos juízes traz esse impacto que é previsto pela Lei da Ficha Limpa. É claro que os políticos que pretendem concorrer mesmo condenados façam esse tipo de argumentação, só que é uma argumentação que não procede, porque o julgamento foi técnico", reiterou.

Condenado em segunda instância pelo TRF-4, o ex-presidente Lula pode ser considerado inelegível pela Justiça Eleitoral e ser proibido de disputar as eleições. O PT pretende lançá-lo como candidato à Presidência da República. Até o momento, o petista lidera as principais pesquisas de intenções de voto com vistas ao Planalto.

A possibilidade da candidatura vai depender de recursos contra a condenação e à Justiça Eleitoral.

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