A caminho do isolamento

Firmino Filho: indiferença pode isolá-lo do processo eleitoral
Firmino Filho: indiferença pode isolá-lo do processo eleitoral

Embora a retórica esteja presente nas declarações de personagens políticos para afirmarem que só irão tratar de eleição no próximo ano (ano eleitoral), o processo eleitoral há muito foi deflagrado no Piauí. Está claro como nunca nas viagens oficiais do governador Wellington Dias, agendadas para o interior, na companhia do senador Ciro Nogueira (PP) no recente flagrante do deputado Dr. Pessoa (PSD) na feira agropecuária de Piripiri, nos almoços que o ex-senador João Vicente oferece a prefeitos do Piauí e encontros entre líderes de partidos de oposição e do governo.

Em meio a tudo isso, o que deveria chamar a atenção não é essa movimentação dos pré-candidatos ou de lideranças de partidos mas quem está alheio a esse processo que foi antecipado. O que parece estranho é total ausência do prefeito de Teresina Firmino Filho, principal referência do PSDB no estado no debate sucessório. Dono de um naco substancial do eleitorado piauiense, Firmino tem se furtado a tratar de sucessão e os partidos começam a se articular no debate sobre as eleições ignorando-o por completo.

Posicionado sobre o próprio apelido que o PSDB ganhou desde sua formação, como o de um partido que está sempre em cima do muro, o prefeito de Teresina adotou um gesto de isolamento ao ponto de correr o risco de ficar alijado do processo sucessório por desprezar o fato de a política está às véspera de uma eleição. Por mais que alguém especializado em PSDB ou em Firmino Filho se arrisque a fazer um vaticínio sobre o que está pensando o prefeito em relação as eleições de 2018.

Depois da eleição que o reconduziu ao cargo de prefeito para o quarto mandato à frente da prefeitura, Firmino chegou a pensar em deixar o PSDB. Só não o fez graças a intervenção do deputado Robert Rios (PDT), sem aliado, que o convenceu a não tomar uma atitude precipitada naquele momento. Depois disso tentou uma aproximação com o Palácio de Karnak ao filiar a mulher, dona Lucy e o secretário de Saúde Sílvio Mendes ao PP, ela para ser candidata a deputada federal.

Eis que de repente, Firmino faz um recuo desistindo da candidatura da mulher à câmara federal – e até de promover o retorno dela para o PSDB – e decide lançá-la a deputada estadual, mesmo sabendo que pode atropelar deputados do partido com mandato na Assembléia. Sua indiferença para isso tem chamado a atenção de correligionários para esta atitude. É como se Firmino esteja abdicando da carreira política e se isolando unilateralmente do processo. Em seguida, dá declaração para amenizar o fato e sugere rodízio na presidência estadual do PSDB, indicando o sobrinho Firmino Paulo para suceder Maden Menezes.

Essa atitude do prefeito tem levado os líderes da oposição a ignorá-lo nas discussões interpartidárias sobre um projeto alternativo de governo para enfrentar o governador Wellington Dias. A razão é simples: ninguém sabe de que lado Firmino está. A oposição imagina que ele vai querer ficar ao lado de Wellington Dias para viabilizar no palanque do PP a eleição da mulher. Por sua vez, o governador tenta recuperar os espaços perdidos na capital se aproximando dos vereadores da capital contornando o Palácio da Cidade. Ignorado pela oposição e pelo governo, a conclusão que se chega é que o prefeito de Teresina começa a dar passos a caminho do isolamento.