Governadores do Nordeste e Minas Gerais se manifestam contrários à privatização da Eletrobras

Reunidos nesta sexta-feira (18), em Recife (PE), governadores de estados do Nordeste e de Minas Gerais assinaram, uma carta em que se posicionam contra a privatização da Eletrobras e suas subsidiárias. O evento teve a finalidade de discutir questões referentes a responsabilidades federais diante de necessidades dos estados da região em meio ao cenário da maior crise econômica da história do País.

Para o governador do Ceará, Camilo Santana, é fundamental a união dos governadores nordestinos no pedido formal para que essa ação não se concretize. "Temos integral posição contrária ao projeto de privatização da Eletrobras e em especial Chesf, que representa um grande patrimônio do povo nordestino. É inadmissível uma área tão estratégica como a área elétrica estar sendo discutida neste momento do País", afirmou.

"Toda a região do Nordeste está unida, o estado de Minas Gerais está solidário a nós contra a privatização do sistema Eletrobras, da Chesf, que, no nosso entender, na verdade, caso ocorra, é a privatização do Rio São Francisco, da vazão da água. Isso vai afetar milhares de famílias nordestinas que têm hoje, com a conclusão do canal de transposição do Rio São Francisco, um ativo importante para o abastecimento de água e ao mesmo tempo para a produção dos projetos irrigados. E tudo isso é motivo de preocupação", disse o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

"Essa não é a agenda que o Brasil votou em 2014. Essa pauta foi derrotada. Está em cima da mesa porque passaram a governar sem terem sido eleitos e ninguém pode afetar tão produndamente a vida coletiva da sociedade sem passar por uma eleição", acrescentou o governador da Paraiba, Ricardo Coutinho, sobre a política de privatização.

A carta aborda as preocupações dos gestores com a privatização da Chesf, que usa a água do Rio São Francisco para gerar energia elétrica. "Se a água pertece ao povo, usada por agricultores e em atrações turísticas, como privatizá-la? Não podemos privatizar um setor tão estratégico como esse", disse o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria.

Liberação de empréstimos

Outro destaque foi a cobrança por liberação de mais empréstimos, com fim de estimular o crescimento e mais movimentação econômica, como também segurança financeira, para cada um dos estados do Nordeste. Os estados ainda aguardam a definição dos critérios da Linha de Financiamento da ordem de R$ 42 bilhões, prometida no último dia 9 de março, em reunião ocorrida no Palácio do Planalto.

"Outro aspecto fundamental é que haja a liberação dos empréstimos para os estados do Nordeste. É um absurdo o momento em que a gente vive, de dificuldades na economia, que estados que fizeram o dever de casa, estados saneados, não tenham condições de retirar os empréstimos. Isso vai ajudar na retomada do crescimento, na geração de empregos, esse é um ponto que a gente vem batendo", pontuou o governador do Ceará.