Prêmio Multishow é uma homenagem à mediocridade

Nos anos 2000, a música popular invadiu a TV paga

Quando comecei a ver TV paga lá pelos idos de 1997 (na casa de amigos) a novidade era vista como a última fronteira dos cults, modernos e outros adjetivos que enaltecem a boa música, os rocks mais descolados, as novidades da MPB, as fusões mais loucas.

Anitta recebe o prêmio de Melhor Cantora (Foto: Reprodução)
Anitta recebe o prêmio de Melhor Cantora (Foto: Reprodução)

Era tempo da MTV com clips bacanas, shows transmitidos do Caetano Veloso, Zeca Baleiro e Raimundos. Nos anos 2000, a música popular invadiu a TV paga. Acho tão complicado essa história de chamar música popular de música fácil, sem letra, porque tem tanta coisa boa que acho popular como Roberto Carlos, Seu Jorge que é de um swing incrível.

Todo esse prólogo é pra falar sobre esse Prêmio Multishow que acontece anualmente e acho um verdadeiro desserviço à música boa. Claro que isso fica bem nítido com a votação sendo popular. Lá vai mais uma vez eu tentando entender que o povo gosta dos premiados, porque lhes é enfiado goela baixo, falta uma cultura musical, pô, mais nos EUA, a Britney Spears vendeu mais que rock e rap por uma década.

Mas, os premiados é que me irritam: Luan Santana como melhor cantor, Anitta como melhor cantora, Joelma como melhor show. Fico pensando, eu tô pagando uma TV por assinatura pra ver isso. Aí depois penso – “ deve ter muita gente assistindo assim como eu, que estou aqui como jornalista, pegando dados pra fazer um texto”. Acho que tou trabalhando ou não?.

É como dizia Hemingway – é um mundo ruim, mas vale a pena lutar por ele. Mesmo com tanta gente ruim cantando e sendo premiado.